segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Tragédia



Olá pessoal!
Esse é o meu primeiro artigo aqui no Blog Conexão Pensada. Eu pensei em criar um artigo sobre pontos problemáticos ao escrever nas redes sociais, assim como acontece com a escrita de epístolas. Entretanto, eu decidi adiar essa publicação e realizar uma reflexão sobre Tragédia devido ao lamentável acontecimento do incêndio de Santa Maria (RS).


Gostaria de iniciar dizendo que eu pessoalmente sinto muito pela tragédia de Santa Maria (RS), mas como um pensador não posso abster-me de uma reflexão mais serena e que almeja observar outros aspectos que não são postos em evidência pela a mídia e nem pela a observação do senso comum. Como diria o professor Milton Santos: esse é o papel do pensador, do intelectual; o papel de provocar, de causar desconforto e analisar mais profundamente os acontecimentos.
As tragédias são sempre algo humanamente lamentável por suas próprias características. No entanto, elas possuem a sua “importância” e o seu “poder” em relação aos homens. O próprio filósofo Nietzsche aborda a importância da tragédia na vida humana. Por serem acontecimentos que retiram a alma humana do ciclo de vida inerte, na qual a maioria das pessoas são submetidas a obedecer, devido aos sistemas sociais e econômicos que regem suas vidas sem nenhum lampejo de pensamento crítico frente aos acontecimentos cotidianos e históricos. A tragédia vem, por muitas vezes, de um modo súbito e brutal, capaz de paralisar e despertar o espírito humano ao ato de autoanálise e de reflexão perante aos acontecimentos e à sua posição no contexto social.
Entretanto, mesmo a tragédia sendo uma ação que provoca o despertar crítico do ser humano, ela pode tornar-se um ato de reflexão comprometido. Se o sujeito que for exposto ao anúncio da tragédia mantiver uma reflexão dependente do senso comum, do misticismo religioso ou, até mesmo, de classes e forças econômicas dominantes como é o caso, atualmente, da indústria midiática e do capital financeiro, os verdadeiros centros frouxos que controlam a sociedade mundial. Assim, para que a tragédia não seja apenas um fato consumado triste e, de modo algum, não sirva para a evolução do ser humano. É preciso ser analisada serenamente com base em experiências e conhecimentos bibliográficos relevantes, com a finalidade de mostrar a realidade e seus por menores como de fato são postos.
Se a analise da tragédia for desdobrada, for observada e criticada com um olhar mais cuidadoso que busque a verdade. É possível, então, deixar de ser apenas um fato lamentável para se torna um fato elucidativo dos problemas humanos. E possibilitar o início da emancipação humana frente aos sistemas e dogmas que aprisionam, corrompem e exploram o ser humano.
Agora perante a essa reflexão da tragédia, o que pensar do acontecimento fatal de Santa Maria-RS? Não é algo feio ou errado ser solidário por meio da religião que o indivíduo escolheu seguir, mas é no mínimo negligente esperar que todas as soluções das injustiças humanas caiam do céu prontas para o uso da felicidade do homem. Esse é o momento propício para as pessoas se unirem e se questionarem de modo que proponham não só solidariedade para os familiares das vítimas, mas também soluções práticas para que se evitem grandes tragédias e injustiças sociais.
Parar para refletir, estudar e chamar os amigos, os familiares e as instituições que compõem a sociedade para o diálogo é um bom início. Pois ser simplista e culpar o dono da boate Kiss de Santa Maria, culpar os integrantes da banda, culpar a prefeitura, o corpo de bombeiro e as fiscalizações responsáveis isso é muito fácil e rápido.  Agora parar para refletir, estudar e chamar a sociedade para o diálogo com a finalidade de propor soluções que atinjam o cerne dos problemas. Aí, sim, é outra coisa muito mais complexa.  
Ah, mas nós não temos tempo para tudo isso, não é caro Leitor? Seguir a linha do censo comum, do misticismo religioso e da mídia que apresenta soluções simplistas que satisfaz somente os interesses desses grupos econômicos é mais confortável e fácil, não é Leitor? Dá também uma sensação de dever cívico cumprido, não é Leitor?  No entanto, refletir de modo independente e se incluir como parte integrante que permitiu essa tragédia de Santa Maria e todas as outras tragédias que são consumadas todos os dias, em todos os lugares de nosso país, mas que por algum motivo (que é obscuro para a maioria da sociedade) não é evidenciada nas mídias tradicionais e, muito menos, abordada nas redes sociais da Internet com profundidade e embasamento teórico relevante que chame a sociedade para a reflexão. Portanto, caro Leitor, buscar culpar de modo simplista ou esperar que as soluções de tragédias como a de Santa Maria (RS) caiam do céu é errado, é antiético!  Podemos nos incluir como os principais culpados nessa tragédia de Santa Maria, também, caro Leitor! Pois com o nosso jeito inerte e acomodado permitimos que esse sistema capitalista pudesse se impor com regras próprias, que são manipuladas por pequenos e poderosos grupos econômicos e que regem as regras a seu bel-prazer. E não adianta nos esconder por trás do misticismo religioso ou nos entregar ao conforto do julgamento da mídia, porque isso não vai nos eximir da culpa. Contudo, quando ficamos em silêncio, nós consentimos e assinamos embaixo.  Porque esse sistema que permiti todo tipo de tragédia como exploração de menores, corrupção, tráfico de drogas e de seres humanos, escravidão, negligência e todo o tipo de injustiça e exploração de classes desfavorecidas e desprovidas de conhecimento são, somente, culpa nossa.  É o momento de decidirmos se vamos continuar ajoelhados esperando o melhor ou se vamos compreender e aceitar o que está acontecendo e se organizar, e se revoltar contra as injustiças e tragédias proporcionadas pelo sistema que nos rege. É sua vez agora, caro Leitor, de assumir a culpa!    


Nenhum comentário:

Postar um comentário